Conceitos de frete

O que é GRIS e como saber se está cobrado certo

GRIS (Gerenciamento de Risco) é a taxa de cobertura da carga. Como funciona a alíquota, o piso mínimo, quando há sobreposição com ad valorem e como detectar cobrança a maior. Com exemplo numérico.

KEquipe Kubiq··8 min de leitura

GRIS (Gerenciamento de Risco) é a taxa que a transportadora cobra para cobrir o risco da carga em trânsito — sinistros, roubo, avaria. Aparece como uma linha separada em todo CT-e de fracionado rodoviário no Brasil. É calculada como percentual sobre o valor da mercadoria.

Parece simples. Não é. Os 3 erros mais comuns na cobrança de GRIS valem entre R$ 80 e R$ 200 por CT-e quando aparecem, e aparecem em alta frequência. Esse post explica o que é, como conferir e como contestar quando vier errado.

A regra geral

GRIS é definido em contrato (ou aditivo), com 3 parâmetros:

ParâmetroSignificado
AlíquotaPercentual sobre a base. Típico: 0,08% a 0,18%.
Base de cálculoGeralmente "valor das mercadorias" (NF-e). Pode ser "valor com IPI".
Mínimo por CT-eValor-piso. Típico: R$ 3,50 a R$ 5,00.

A fórmula:

GRIS = max(base × alíquota, mínimo contratado)

Exemplo: NF-e de R$ 38.420, alíquota 0,10%, mínimo R$ 4,00.

  • 38.420 × 0,001 = R$ 38,42.
  • max(38,42 , 4,00) = R$ 38,42.

Para NF-e pequenas (~R$ 2.000), o mínimo passa a valer:

  • 2.000 × 0,001 = R$ 2,00.
  • max(2,00 , 4,00) = R$ 4,00.

GRIS × ad valorem: qual a diferença

Os dois são cobrados como % sobre o valor da NF-e. GRIS é a taxa de risco operacional do transportador (cobertura própria de sinistros). Ad valorem é o seguro (que pode ser repassado pra uma seguradora ou ser uma reserva própria). Em alguns contratos eles aparecem fundidos numa linha só "ad valorem"; em outros, separados.

Vale conferir o seu contrato. Se aparecem dois itens distintos no CT-e quando o contrato só prevê um, você está pagando duas vezes a mesma cobertura.

Caso comum: Vellure tem contrato com alíquota de 0,10% de GRIS. O CT-e da TNT cobra GRIS 0,14%. Diferença de 0,04 p.p. parece pequena. Numa NF-e de R$ 98.200, vira R$ 39,28 a maior por CT-e. Multiplicado por 39 CT-e na fatura: R$ 1.531 a maior por mês só desse item.

Os 3 erros mais comuns

1. Alíquota diferente da contratada

A causa mais frequente. A transportadora aplica 0,12% ou 0,14% quando o contrato diz 0,10%. Aparece sistematicamente, geralmente porque a tabela "padrão" da transportadora não foi sobrescrita pela tabela negociada com você.

Como conferir: pega 5 CT-e aleatórios, pega o valor do GRIS, divide pelo valor da NF-e correspondente, multiplica por 100. Se der número diferente da alíquota contratada, é divergência.

alíquota_aplicada = (GRIS cobrado / valor NF-e) × 100

2. Base "valor com IPI" em vez de "valor das mercadorias"

A NF-e tem duas referências de valor: valor das mercadorias (item Z) e valor total (que pode incluir IPI, frete embutido, etc.). O contrato de frete típico diz "GRIS sobre valor das mercadorias". A transportadora calcula sobre o valor total (com IPI).

Exemplo real: NF-e com valor das mercadorias R$ 98.200, IPI 7,4% = R$ 7.267. Valor com IPI: R$ 105.467.

  • Esperado: 98.200 × 0,10% = R$ 98,20.
  • Cobrado errado: 105.467 × 0,10% = R$ 105,47.
  • Diferença: R$ 7,27 por CT-e.

Por CT-e parece pouco. Numa operação com 80 CT-e/semana de SKUs com IPI 7% a 12%, vira R$ 2.300 a R$ 3.500/mês a maior.

3. Mínimo aplicado quando não deveria

Para CT-e onde o cálculo dá um valor acima do mínimo, o cobrado deve ser o calculado. Acontece da transportadora cobrar o mínimo "por padrão" mesmo quando o cálculo dá maior. Esse caso é raro mas reverso: a transportadora cobra R$ 4,00 quando o cálculo daria R$ 38,42 — favor do embarcador. Não é divergência a contestar. Só registra.

O reverso (cobrar mais que o calculado por causa de mínimo errado) é o problema: contrato diz mínimo R$ 4,00, transportadora aplica R$ 8,00 em todos os CT-e abaixo de R$ 8.000 de NF-e. Em distribuição farma com NF-e pequena, isso aparece.

Quando GRIS pode ser legitimamente alta

Algumas cargas exigem GRIS maior por risco real:

  • Eletrônicos, smartphones: alíquota típica de 0,30% a 0,50%.
  • Cosméticos e fragrâncias caras: 0,25% a 0,40%.
  • Medicamentos controlados: 0,30% a 0,60%.
  • Rotas de risco (interior do Pará, periferias específicas): adicional sobre a alíquota base.

Quando o contrato prevê alíquota maior pra essas categorias, ela é legítima. O erro frequente é a transportadora aplicar a alíquota de alto risco em CT-e de carga normal — vale conferir SKU por SKU.

Como conferir GRIS em escala

Numa operação com 200–800 CT-e/semana, conferir GRIS manualmente é inviável. As opções:

Amostragem em planilha

Exporta 1 mês de CT-e, joga numa planilha com colunas: CT-e número, valor NF-e, GRIS cobrado, alíquota implícita (GRIS / NF-e × 100), alíquota contratada. Filtra os que dão diferente.

Pega 80% dos casos de alíquota errada (erro 1) e 20% dos de base errada (erro 2 — precisa cruzar com IPI da NF-e pra detectar).

Auditoria automática

Cruza o XML do CT-e com o XML da NF-e, identifica a base contratada para cada SKU, recalcula. Pega 100% dos casos dos 3 erros. É o que rola na nossa plataforma.

Como contestar GRIS cobrado errado

A taxa de aceite de contestação de GRIS é ~80% (mais alta que cubagem, mais baixa que CT-e complementar indevido). O motivo: a cláusula contratual é geralmente clara, e a divergência aparece como número.

A carta de contestação tem que ter:

  1. Cláusula do contrato que define alíquota + base (cite literal).
  2. Cálculo esperado (base × alíquota = X).
  3. Cobrado no CT-e (Y).
  4. Diferença Y - X em R$ e em p.p.
  5. Pedido de glosa ou emissão de CT-e de anulação parcial.

Modelo completo de carta de contestação está neste post.

ROI: quanto vale corrigir GRIS

Numa operação que gasta R$ 8 milhões/ano de frete fracionado com NF-e média de R$ 30 mil:

  • ~12 CT-e/dia, ~3.500/ano.
  • GRIS médio por CT-e: R$ 30 (alíquota 0,10% sobre NF-e média de R$ 30 mil).
  • Total GRIS pago/ano: ~R$ 105 mil.

Erro típico de 20% na cobrança (alíquota 0,12% em vez de 0,10%, ou base com IPI):

  • Perda anual em GRIS: ~R$ 21 mil.

Não é o maior item da auditoria (reajuste diesel e cubagem inflada costumam ser maiores), mas é constante e fácil de provar. Costuma ser o primeiro item recuperado em uma auditoria retroativa, dentro de 30 dias da contestação.

Quando quiser auditar GRIS (e os outros 5 itens) nos seus 12 meses de CT-e, conversa rápida com o time. Auditoria retroativa é grátis — você só paga se houver recuperação.

Como recalcular o CT-e do zero está aqui. Como contestar quando GRIS veio errado está aqui.

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